Análise (esculacho) em vídeo com gameplay do Test Drive III [MS-DOS]

Análise (ou esculacho) de Zeusdaz — "o canal de retro game não emulado" — do Test Drive III: The Passion, de MS-DOS, num vídeo com também a gameplay deste simulador de corrida da Accolade, uma ousada tentativa de salto tecnológico dos anos 1990. [Acesse a descrição completa]

Descrição completa

Neste vídeo originalmente publicado em 11 de outubro de 2024 no Zeusdaz — “o canal de retro game não emulado” — temos uma análise, ou melhor um esculacho na forma de um vídeo em inglês que acompanha a gameplay do Test Drive III: The Passion, o simulador de corridas clandestinas de 1990 da Accolade exclusivo de MS-DOS.

Pra quem não conhece, Test Drive 3 é um game onde você guia carros em primeira pessoa em altas velocidades através de rodovias públicas, enquanto desvia do tráfego e evita a polícia. Seus estilos visual e sonoros lembram pouco o Stunts, da Distinctive. É, como dá para adivinhar, o terceiro título da sua série (que continua ativa), e, apesar das reclamações de Zeusdaz, foi elogiado pelas revistas especializadas de sua época.

A proposta do vídeo — uma edição do “Shit Game Time” — é simples: jogar, comentar e, principalmente, extravasar a frustração acumulada desde a época em que donos de Amiga e Atari ST descobriram que jamais veriam esse título nas suas máquinas. Note que o vídeo está em inglês, mas tem legendas automáticas que devem ficar razoavelmente boas se você mandar traduzir ao português na barra de reprodução. Outra coisa é que, e isso pode ter me escapado, mas não ficou claro se o Zeusdaz rodou o Test Drive 3 numa máquina com DOS, seguindo a filosofia do seu canal, ou no DOSBox.

A expectativa destruída refletida pelo desabafo de um fã antigo

O Test Drive 3 foi a primeira tentativa da série de migrar para ambientes 3D poligonais completos, abandonando o estilo mais estilizado e responsivo dos dois jogos anteriores, o que, segundo Zeusdaz, foi uma ideia ousada, mas mal executada.

Boa parte da crítica do vídeo nasce da memória afetiva: o apresentador reforça diversas vezes que Test Drive 1 e 2 eram praticamente obrigatórios em máquinas Amiga e Atari ST (eu joguei no DOS). Test Drive foi, inclusive, o motivo pelo qual ele comprou seu ST na época, e, quando surgiram as notícias de um terceiro capítulo, a empolgação foi imediata. Entretanto, veio o balde de água fria: Test Drive III seria exclusivo para MS-DOS.

Segundo ele, em 1990 praticamente ninguém do círculo gamer britânico (do qual ele deveria fazer parte) possuía um PC — máquinas consideradas caras, sisudas e longe do ambiente doméstico comum. A sensação geral foi de traição: a série continuaria, mas longe dos fãs que a sustentaram. Dá para adivinhar que esta frustração inicial prepara o terreno para o restante da experiência — e que, ironicamente, talvez tenha sido uma sorte o jogo não ter saído para Amiga e ST.

O salto que parecia revolucionário… mas escorregou

Um ponto fundamental da crítica de Zeusdaz foi a mudança radical para gráficos 3D poligonais e, embora reconheça a intenção experimental da época, questiona a decisão de atrelar isso à marca Test Drive em vez de lançar um spin-off ou um título novo. O público deveria estar esperando uma evolução natural do estilo dos dois primeiros jogos — e não um protótipo de corrida poligonal cheio de arestas (literal e figuradamente). Isso acontece muito mesmo.

Ao iniciar a jogatina, ele demonstra os problemas já nos primeiros segundos:

  • sons considerados horríveis, especialmente o barulho do motor (“pior que tortura com água pingando”);
  • trilha sonora fraca, com músicas que ele troca repetidas vezes na tentativa de achar algo suportável;
  • controles sensíveis demais, onde um leve toque no teclado joga o carro para fora da pista (o mesmo que acontece no Grand Prix Unlimited, também da Accolade e que tem este mesmo esquema 3D, se bem me lembro);
  • física imprevisível, com o carro quicando e deslizando como se estivesse em gelo;
  • paisagens abertas que permitem sair da estrada, mas que rapidamente se tornam confusas e vazias.

Algumas funções chamam atenção — faróis, limpadores, mudança de câmera, até visão “bird’s eye” —, mas todas insuficientes para salvar a sensação de descontrole constante.

Música ruim, engine pior e gameplay sofrida

Boa parte do humor involuntário do vídeo vem da indignação crescente do Zeusdaz, que:

  • volta e meia reclama do motor “insuportável”;
  • alterna músicas só para constatar que “todas são ruins”;
  • se espanta com os acidentes aleatórios;
  • ri de detalhes estranhos como o suposto burro no cenário;
  • brinca com o avatar do jogo, que segundo ele “parece o Benny Hill de óculos”.

A todo momento, reforça que até entender o caminho da pista é difícil — e que mesmo quando acerta, a sensação de controle nunca aparece de verdade.

Outro ponto bastante repetido da crítica volta aqui: a sensibilidade absurda dos comandos, que transforma qualquer reta em um exercício de sobrevivência. Isso é muito ruim mesmo.

Frustração histórica

Depois de testar vários modos de câmera, avançar alguns trechos da pista e destruir todos os carros possíveis, Zeusdaz fecha sua análise com a pergunta central:

Por que chamar isso de Test Drive 3?

Para ele, o jogo poderia até ter valor como experiência experimental de corrida em 3D no PC — algo ousado para 1990 — mas jamais deveria ter carregado o nome de uma série já estabelecida. A mudança brusca de estilo e a exclusividade no MS-DOS teriam, segundo ele, “matado o encanto” para os donos de Amiga e Atari ST.

Seu resumo final é direto:

  • o jogo é feio para a época;
  • a música irrita;
  • o som do motor é terrível;
  • a jogabilidade é fraca;
  • a decisão comercial foi péssima.

Ainda assim, reconhece que havia uma tentativa sincera de explorar gráficos poligonais — mas insiste que isso deveria ter sido feito sem sacrificar a continuidade da série. Olha, de forma geral, ele tem muita razão nisto, e os produtores são burros e cometem este mesmo erro frequentemente ainda nos dias de hoje.

Experimento ambicioso que deu ruim

O vídeo de Zeusdaz funciona como um misto de memória afetiva, crítica técnica e humor involuntário. Sua análise, apesar de esculhambar o game, acaba sendo rica, e mostra como Test Drive III tentou dar um salto tecnológico antes da hora, mas acabou se distanciando do público que sustentou a franquia. A decisão de torná-lo exclusivo de MS-DOS e de abraçar o 3D poligonal transformou o game em uma espécie de capítulo perdido — lembrado mais pela ousadia mal executada do que por qualquer mérito concreto.


Pronto.

Tá aí. Mais um vídeo do rabugento Zeusdaz arquivado aqui, que acaba sendo também um registro curioso da transição tecnológica da virada dos anos 1990. Você concorda com as considerações dele? Gosta ou também detesta o Test Drive III: The Passion? Confesso que não lembro de tê-lo jogado, mas gostei bem dos seus dois predecessores. Compartilhe conosco suas opiniões nos comentários!

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Abraços!

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