Como um "velhinho" derrotou profissionais no Magic: The Gathering

Vídeo sobre como um simpático "velhinho", Gary Campbell, derrotou profissionais num grand prix de Magic: The Gathering, usando o deck mais apelão da sala, deixando o mundo do MTG Legacy em choque e entrando para a história. [Acesse a descrição completa]

Descrição completa

Este vídeo publicado originalmente em 12 de janeiro de 2026 pelo canal MTGGoldfish conta como um simpático “velhinho”, o escocês Gary Campbell, derrotou profissionais num grand prix de Magic: The Gathering, usando o deck mais apelão da sala e deixando o mundo do MTG Legacy em choque.

O conteúdo está em inglês (mas conta com dublagem em português brasileiro) e tem formato tipo de mini documentário, trazendo a trajetória de Gary, um ex-jogador de futebol que adotou Magic, depois de ter que encerrar sua carreira como desportista prematuramente por causa de lesões. Para MTGGoldfish e quem assistiu ao vídeo, a conclusão é que a vitória de Gary neste campeonato não apenas desafiou todas as probabilidades, como é também a coroação da jornada do homem que criou a própria comunidade de Magic: The Gathering na Escócia.

O coração do Magic na Escócia

Depois de abandonar sua carreira promissora no futebol, Gary Campbell encontrou no Magic: The Gathering não apenas um novo hobby, mas um novo eixo de vida, mas não era conhecido por grandes resultados competitivos. Pelo contrário: apesar de jogar Magic desde o início dos anos 2000, sua trajetória em torneios sempre foi modesta.

Com um bom resultado no Mundial de 2002, Gary ganhou algum dinheiro e decidiu investir não em mais cartas para si, mas na fundação de uma loja em sua cidade natal, Dundee: a Highlander Games. A partir daí, seu foco deixou de ser vencer partidas e passou a ser algo muito maior — construir uma comunidade.

Durante mais de 16 anos, Gary tornou-se o ponto de convergência do Magic competitivo na Escócia. Emprestava decks inteiros, muitos deles do formato Legacy — conhecidos por custarem milhares — para que outros jogadores pudessem competir. Transportava pessoas por horas até torneios. Criava oportunidades onde antes não havia nenhuma. Não à toa, passou a ser chamado carinhosamente de “Old Man”, o velho.

Histórico competitivo pouco animador

Apesar do respeito absoluto dentro da comunidade, os números não jogavam a favor de Gary. Em 2018, aos 52 anos, seu rating ELO era 1463, abaixo do valor inicial padrão de um jogador novo, e, em quase duas décadas de Magic competitivo, raramente passara do primeiro dia de torneios grandes.

O bom é que isso nunca pareceu incomodá-lo. Para Gary, o jogo e as pessoas sempre foram mais importantes do que troféus. Ganhar seria bom, claro, mas não era necessário para que ele estivesse ali, pois, o Magic, por si só, já era recompensa suficiente.

Grand Prix, meta hostil e uma escolha improvável

Em dezembro de 2018, um Grand Prix Legacy aconteceu em Birmingham, na Inglaterra, a menos de seis horas de carro de Dundee, e Gary e vários jogadores escoceses pegaram a estrada juntos. O formato Legacy daquele momento era dominado por decks Delver extremamente eficientes, cheios de mágicas de custo baixo e impulsionados por cartas como Gitaxian Probe, até então ainda não banida.

Foi nesse cenário que Gary tomou uma decisão improvável: jogar com Mono Red Prison, um arquétipo praticamente inexistente no meta da época e com o qual ele nunca havia jogado uma única partida antes do torneio.

O plano do deck era simples e cruel: acelerar mana com terrenos como Ancient Tomb e City of Traitors para colocar em jogo cartas que simplesmente impediam o oponente de jogar Magic. Chalice of the Void, Trinisphere, Ensnaring Bridge e, principalmente, Blood Moon formavam um verdadeiro cárcere — especialmente devastador contra decks gananciosos, cheios de terrenos não básicos.

Do improvável ao inacreditável

O que veio a seguir parecia um erro estatístico: Gary venceu as três primeiras rodadas e seguiu acumulando vitórias até terminar o primeiro dia com uma campanha inédita em sua carreira. Todos os seus adversários tinham ranking superior — alguns, muito superior.

No segundo dia, o padrão se manteve. Gary avançou até o top 8, enquanto a torcida escocesa no salão crescia em volume e entusiasmo, com cada vitória do “velhinho” sendo comemorada de forma coletiva.

As finais e a consagração do improvável

Nos confrontos eliminatórios, Gary superou arquétipos consagrados e jogadores experientes, muitas vezes em partidas exaustivas, decididas nos detalhes. Mesmo quando tudo parecia perdido, o deck cumpria seu papel: travava o jogo, comprimia opções e dava tempo para que pequenas vantagens se transformassem em vitória.

Na final, o adversário era simplesmente o mais bem ranqueado do torneio, pilotando o melhor deck do formato. Ainda assim, mais uma vez, Blood Moon, Chalice of the Void e Ensnaring Bridge fizeram o impossível parecer rotineiro. Cartas na mão, recursos disponíveis — e nenhum Magic sendo jogado do outro lado da mesa.

Quando a última peça foi sacrificada para causar o dano final, o salão explodiu.

Mais do que um troféu

Gary Campbell tornou-se, aos 52 anos, o jogador mais velho a vencer um Grand Prix de Magic: The Gathering. Mas o troféu, naquele momento, parecia quase secundário, pois o Velho estava cercado por aqueles que foram trazidos ao Magic por causa dele.

Há também um simbolismo difícil de ignorar no fato de Gary vencer justamente com cartas que sempre fizeram parte de sua vida como colecionador e facilitador deste “carteado”. Não se tratou de vantagem material nem de domínio técnico extraordinário, mas da liberdade de poder escolher o deck certo para aquele momento, sem amarras ao meta, ao investimento recente ou às pressões competitivas. A vitória não nasceu do improviso, mas de uma familiaridade profunda com o jogo, construída ao longo de décadas vivendo o Magic para além das mesas.

Como o próprio Gary resumiu depois, naquele dia tudo que podia dar certo deu certo, e tudo que podia dar errado para seus oponentes, deu errado. Mas não é que deu zebra no Grand Prix, o que aconteceu foi a consagração de anos de trabalho incansável e diligente de um homem determinado.

E assim, jogando o deck mais cruel da sala, o homem mais gentil do torneio entrou para a história do Magic.


E então?

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