Brave implementa o protocolo IPFS nativamente

O Brave implementa o protocolo IPFS nativamente, tornando-se o primeiro browser a fazer isso. É mais um passo importante em direção à uma internet descentralizada. O Peter, do ANCAPSU, comenta. [Acesse a descrição completa]

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Visão geral

O Brave implementa o protocolo IPFS nativamente, tornando-se o primeiro browser a fazer isso e dando mais um passo importante em direção à uma internet descentralizada e mais livre.

Fiquei sabendo dessa interessante notícia através deste vídeo do canal ANCAPSU apresentado pelo Peter Turguniev, onde ele fez a leitura de um artigo chamado “Brave quer aposentar HTTP e criar uma web descentralizada com protocolo IFPS“.

Embora o título da notícia original seja meio sensacionalista (não creio que o http:// vai morrer, pelo menos não num futuro previsível, e muito menos que o Brave vai abandonar o suporte a este protocolo), ela abre um leque de possibilidades muito boas.

Mas vamos do começo: o Brave é um browser desenvolvido sobre o Chromium (o projeto de navegador web open source do Google) cujo nome vem crescendo bastante nos últimos tempos, visto que promete muita privacidade, segurança, velocidade e um esquema de recompensas com criptomoedas.

O anúncio da adoção do protocolo de rede InterPlanetary File System (IPFS) de ponta-a-ponta (P2P) foi feito pelo Brave na última semana (a 19 de janeiro de 2021). Com o uso do novo protocolo, os responsáveis pelo navegador afirmam que querem criar uma web descentralizada, mais democrática e difícil de ser censurada.

Brian Bondy, CTO e cofundador da Brave Software, explica que a nova tecnologia é empolgante e possui muitas vantagens quando comparada com o protocolo tradicional, argumentando que “carregar conteúdo por este novo protocolo é importante para blockchain e para integridade de dados autodescrita. O conteúdo visualizado anteriormente pode até ser acessado offline com ipfs://. A rede IPFS dá acesso ao conteúdo mesmo que tenha sido censurado por corporações e estados, como, por exemplo, partes da Wikipedia”.

Bondy também disse que a equipe está trabalhando na implementação do IPFS desde 2018 e a versão 1.19 do navegador já possui suporte para a nova tecnologia.

Em curtas linhas, o que é IPFS

Ao contrário do HTTP(S), onde há um local específico de armazenamento, o protocolo IPFS funciona com o mesmo princípio do Torrent e permite que usuários baixem conteúdos para acessá-los usando um “hash de conteúdo”. Ou seja, cada usuário representa um nó na rede IPFS e, caso um dos nós não esteja online oferecendo esse conteúdo, o sistema busca outras fontes. Ou seja, é como se cada computador fosse um servidor.

Além disso, conteúdos hospedados neste esquema sistema tornam-se mais difíceis de ser censurados por governos autoritários. De acordo com Brian Bondy, o “HTTP(S) usa Uniform Resource Locators (URLs) para especificar a localização do conteúdo. Este sistema pode ser facilmente censurado, pois o conteúdo é hospedado em locais específicos em nome de uma única entidade, além de ser suscetível a ataques de negação de serviço (DDoS). O IPFS identifica seu conteúdo por caminhos de conteúdo dentro do Uniform Resource Identifier (URIs), mas não por URLs”.

Ainda segundo o executivo, o IPFS também traz benefícios com relação à segurança e privacidade e, assim como outros protocolos descentralizados, são importantes para blockchains e contratos que operam em redes descentralizadas.

Algumas desvantagens

Uma das desvantagens, no momento, é que os endereços não serão muito bonitos, como temos no HTTP, e isso não é por causa de começar com “ipfs://” em vez de “http(s)://”, mas por serem tipo assim:

ipfs://bafybeiemxf5abjwjbikoz4mc3a3dla6ual3jsgpdr4cjr3oz3evfyavhwq/wiki/Vincent_van_Gogh.html

O LBRY, que também usa um protocolo descentralizado (lbry://), permite umas URIs mais maneiras. Ou seja, pode ser que isso seja melhorado no futuro para o ipfs://, mas isso é só um palpite meu.

Outra desvantagem é que conteúdos servidos via ipfs://, pelo menos até agora, serão estáticos. Para sites comuns, até mesmo uns com certo dinamismo como a Gaming Room, isso poderia ser facilmente driblado com algum CMS especializado em sites estáticos como o Publii. Mas, para fóruns, redes sociais e outras coisas que precisam de login e tal, não sei como poderia ser feito. Todavia, o Peter afirma que já existem esforços para sanar essa deficiência sendo empreendidos.

Enfim… Não entendo muito, mas parece interessante essa parada aí.

Ah! Você pode obter mais informações e baixar o Brave aqui!

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Vídeo adicionado em: 27 de janeiro de 2021

Categorias: Notícias, Vídeos

Autor/canal: ANCAPSU

Acessado: 50 vezes.

Duração: 10:18

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