Ultima Underworld: The Stygian Abyss

Ultima Underworld: The Stygian Abyss é o influente RPG de 92 que se passa numa enorme masmorra de um mundo de fantasia medieval onde, sob a perspectiva de terceira pessoa, o jogador deve encontrar a filha de um barão.

10 de agosto de 2021

Ultima Underworld: The Stygian Abyss é um RPG de fantasia medieval e perspectiva em primeira pessoa que se passa no universo da série Ultima, mais especificamente em um enorme sistema de cavernas que abriga o remanescente de uma civilização utópica extinta.

O jogo foi desenvolvido pela Blue Sky Productions (nome antigo da Looking Glass Studios), publicado pela Origin System (agora parte da Electronic Arts) e lançado originalmente em março de 1992 para MS-DOS.

Grande sucesso de crítica e mercado, o Ultima Underworld é também enormemente seminal, exercendo influencia sobre desenvolvedores como a Bethesda ou Valve e jogos como BioShock, Deus Ex e até Wolfenstein 3D, se a calhar. Seu desempenho e legado justificaram não apenas uma sequência direta, Ultima Underworld II: Labyrinth of Worlds (1993), e um novo jogo da série, Underworld Ascendant (2018), como também ports para várias outras plataformas, como FM Towns, PC-98, PlayStation, Windows e Windows Mobile.

Vídeos

Acima, temos um vídeo com o gameplay do Ultima Underworld.

O segundo vídeo também traz o gameplay do jogo, porém tem mais de 1 hora e meia de jogatina.

Sinopse

Depois de ter trazido paz à Britannia durante sua jornada anterior, o Avatar retorna ao nosso mundo. No entanto, ele é assombrado por sonhos fantasmagóricos que o alertam sobre um grande perigo em Britannia. Assim, decide viajar para lá mais uma vez. Ao chegar, testemunha o sequestro da filha do Barão Almric. Considerado culpado do crime, o Avatar é banido no Great Stygian Abyss (o Abismo) com a escolha de encontrar a garota ou apodrecer na masmorra. Em sua jornada, terá que conviver com os muitos habitantes deste calabouço, sobreviventes de uma colônia falida, e eventualmente descobrir que há muito mais acerca deste sequestro do que aparenta.

Gameplay

O Ultima Underworld: The Stygian Abyss é comumente considerado o primeiro RPG com movimentos fluidos de primeira pessoa em um ambiente 3D real. Ao contrário dos games do gênero de primeira pessoa até então, como Might and Magic II, Dungeon Master ou Eye of the Beholder, o jogador pode se mover em todas as direções, com os gráficos sendo atualizados continuamente. Também se pode olhar para cima, saltar e nadar. A masmorra não é feita inteiramente de corredores e áreas dispostos de forma retangular, tem muita variedade: encostas, escadas, pontes, rios subterrâneos etc.

O objetivo é aventurar-se por uma grande masmorra de vários níveis, na qual toda a partida se passa. O jogador usa um cursor do mouse que pode ser movido livremente para interagir com o mundo e a interface baseada em ícones no HUD. Cada ícone tem um efeito específico. Por exemplo, o Look permite examinar objetos de perto, enquanto o Fight faz com que o personagem do jogador prepare sua arma.

A progressão é amplamente não linear, podendo o jogador explorar a maior parte do Abismo em qualquer ordem, embora várias tarefas específicas devam ser realizadas para completar a história. Os desenvolvedores pretendiam que Ultima Underworld fosse uma “simulação de masmorra” realista e interativa, em vez de um RPG linear. Por exemplo, muitos objetos não têm uso real, enquanto uma tocha acesa pode ser usada no milho para criar pipoca. Um sistema de física permite, entre outras coisas, que os itens saltem quando lançados contra superfícies.

O sistema de combate é orientado à ação e acontece em tempo real. O jogador deve sacar sua arma, mirar em seu oponente e segurar o cursor sobre a tela para infligir dano: quanto mais tempo mais segura o ataque, mais forte ele será. Algumas armas têm diferentes tipos de ataques, dependendo de onde o cursor é pressionado: por exemplo, jabs são executados quando o cursor está perto da parte inferior da tela, enquanto cortes são executados com o cursor no meio. As armas são de curto ou longo alcance e se deterioram com o uso.

Rolagens de dados simuladas ocorrem de forma oculta para determinar a precisão da arma. Os inimigos às vezes tentam escapar quando estão próximos da morte, e pode se usar ocasionalmente furtividade para evitar o combate por completo.

No início de uma partida, o jogador escolhe o sexo, a classe e as habilidades iniciais do Avatar. Habilidades incluem proficiências com armas, arrombamento, comércio etc. Elas podem ser aumentados recitando mantras em santuários especiais depois de acumular uma quantidade suficiente de pontos de experiência. Mantras simples são fornecidos no manual, enquanto outros mais complexos estão ocultos ao longo de uma partida. Subir de nível também aumenta os pontos de vida e mana do Avatar.

O sistema de magia é baseado em runas que podem ser encontradas no Abismo. Se combinadas na ordem certa, produzem um efeito mágico, o que pode variar entre causar terremotos a permitir que o personagem do jogador voe. Assim como os mantras, as runas devem ser encontradas no mundo antes do uso. Existem mais de quarenta feitiços, alguns não documentados.

Como o Abismo é povoado por mais do que apenas monstros, existem várias conversas que o Avatar pode conduzir com NPCs (não aqueles do Twitter). O jogador também pode fazer escolhas em relação ao comportamento do Avatar em relação a esses personagens. A maioria dos NPCs possui posses e está disposta a negociá-las. O Ultima Underworld foi projetado para dar aos jogadores “uma paleta de estratégias” com as quais abordar as situações, e seus sistemas de simulação permitem gameplay emergente.

Um mapa automático exibe todos os locais já explorados com um mínimo de iluminação e também permite que o jogador faça anotações sobre eles. O personagem pode carregar fontes de luz para estender a linha de visão em intensidades variáveis. Estas fontes de luz queimam-se totalmente, a menos que sejam apagadas antes de dormir, o que deve ser feito, visto que o personagem precisa de descansar (além de se alimentar).

Enredo (com spoilers)

Ambientação

Ultima Underworld se passa em Britannia, o mundo de fantasia da série Ultima, especificamente,  dentro de uma grande masmorra subterrânea. Este local, chamado Great Stygian Abyss, apareceu pela primeira vez em Ultima IV: Quest of the Avatar e abriga o objetivo final do jogador, o Codex of Ultimate Wisdom. A entrada da masmorra fica na Isle of the Avatar, uma ilha governada pelo Barão Almric.

Ultima Underworld se passa após os eventos de Ultima VI: The False Prophet. No intervalo entre os dois jogos, um homem chamado Cabirus tentou criar uma colônia utópica dentro do Abismo. Os oito assentamentos da série Ultima incorporam cada uma das oito virtudes, e Cabirus desejava criar uma nona que incorporasse todas as virtudes. Para conseguir isso, uniu diversas culturas e raças em uma coexistência pacífica e planejou promover a harmonia dando a cada grupo um dos oito artefatos mágicos imbuídos de virtude. No entanto, ele morreu antes de distribuir os artefatos e não deixou instruções de como fazer isso. Como resultado, a colônia entrou em anarquia e guerra, e os artefatos foram perdidos. Já em Ultima Underworld, o Abismo contém os restos da colônia de Cabirus, habitada por grupos rebeldes de humanos, goblins, trolls e outras criaturas.

História

Antes do início do jogo, os irmãos bruxos que moram no Abismo, Garamon e Tyball, acidentalmente invocam um demônio, o Slasher of Veils, enquanto fazem experiências com viagens interdimensionais. Garamon é usado como isca para atrair o demônio para uma sala imbuída de virtude. No entanto, o demônio oferece grande poder a Tyball se ele trair Garamon. Tyball concorda, mas a traição falha: Garamon é morto, mas sela o demônio dentro da sala. Por falta de virtude, Tyball não pode entrar novamente sozinho, e planeja sacrificar a filha do Barão Almric, Arial, na porta para entrar.

Na introdução, o fantasma de Garamon assombra os sonhos do Avatar com avisos de um grande perigo na Britânia. O Avatar permite que Garamon o leve até lá, onde ele assiste Tyball sequestrar Arial. Tyball escapa, deixando o Avatar para ser pego pelos guardas do Barão. Os guardas o levam até Almric, que o joga no Abismo para resgatar Arial. Após a introdução, o Avatar explora a masmorra e encontra vestígios da colônia de Cabirus. Alguns cenários possíveis incluem decidir o destino de duas tribos de duendes em guerra, aprender um idioma e tocar um instrumento para completar uma missão.

Eventualmente, o Avatar derrota Tyball e liberta Arial. No entanto, ao morrer, Tyball revela que havia decidido conter o Slasher of Veils, cuja prisão ele vinha enfraquecendo, dentro de Arial como uma forma de impedi-lo de destruir o mundo. Arial pede ao Avatar para evitar que o Slasher of Veils seja liberado, e magicamente se teletransporta de volta para a superfície para evacuar seus habitantes.

Com a ajuda do fantasma de Garamon, Avatar reúne os oito talismãs de Cabirus e os joga no vulcão na base do Abismo, o que libera uma energia que permite Garamon abrir um portal que enviará o Slasher of Veils para outra dimensão. O Avatar é sugado através do portal para uma dimensão alternativa caótica, mas escapa para a Isle of the Avatar e chega a bordo do navio do Barão Almric quando o vulcão entra em erupção. Quando o jogo termina, o espírito de Garamon revela que ele teletransportou os habitantes do Abismo para outra caverna.

Curiosidades

  • Mais pro final do jogo, você pode aprender um feitiço que destruirá todas as formas de vida chamado Armageddon. Se lançá-lo, todas as outras criaturas, itens, portas e até escadas são destruídos, deixando apenas paredes, pisos e tetos. A franquia Might and Magic tem um feitiço de mesmo nome que funciona de forma similar.
  • O jogo vendeu quase meio milhão de cópias, se não mais. O grosso da divulgação foi feita no boca a boca.
  • Lançamento Covermount – Uma versão completa de Ultima Underworld foi disponibilizada na edição de julho de 2000 da PC-Gamer Magazine (edição em CD-ROM).
  • A imagem de teste dos programadores para o código de mapeamento de textura foi uma foto digitalizada em preto e branco de Abraham Lincoln.
  • Ultima Underworld foi o único jogo da franquia lançado para um PlayStation (até o momento), e isto aconteceu apenas no Japão. Esta versão só pode ser reproduzida em consoles japoneses, sob meios oficiais, é claro, porque há bloqueios regionais integrados. Dizem que os gráficos dos monstros foram melhorados em relação à versão para PC e a música do título foi refeita.
  • Perto da Magic Academy, há um espectro flutuando que chama-se Warren. Esta é uma referência ao produtor Warren Spector e continua uma tradição de sua aparição nos jogos não convencionais do Ultima (The Savage Empire and Martian Dreams).
  • De acordo com a edição de julho de 2000 da PC Gamer, Spector não esteve envolvido com o Ultima Underworld até cerca de um ano de produção.
  • Ultima Underworld é o antecessor dos jogos modernos de movimento contínuo com mapeamento de textura em primeira pessoa. Foi o pioneiro no uso do 3D “real”, que permite ao jogador mudar a visão para cima ou para baixo, bem como saltar. Consta que foi uma demonstração da tecnologia do Underworld em desenvolvimento durante a CES de 1990 que levou John Carmack a escrever o engine de um precursor do Wolfenstein 3D, o Catacomb 3-D, lançado cerca de seis meses antes do Ultima Underworld e que usa mapeamento de textura.
  • No entanto, a extensão da influência citada acima não é clara devido a declarações conflitantes de outros integrantes da id à época. No livro Masters of Doom, o autor David Kushner afirma que o conceito foi discutido apenas brevemente durante uma conversa telefônica de 1991 entre Paul Neurath e John Romero. No entanto, Doug Church, um programador do Underworld, disse que John Carmack viu a demo da convenção de software do verão de 1990, e lembrou um comentário de Carmack de que ele poderia escrever um mapeador de textura mais rápido. Paul Neurath relatou o incidente de forma semelhante, com a presença de Carmack e Romero.
  • O engine do game foi escrito por uma pequena equipe. Chris Green forneceu o algoritmo de mapeamento de textura, que foi aplicado a paredes, pisos e tetos. O engine permitiu transparências, paredes em ângulos de 45 graus, várias alturas de ladrilhos, superfícies inclinadas e outros aspectos. Ultima Underworld foi o primeiro a implementar muitos desses efeitos e também o primeiro game 3D em primeira pessoa indoor, em tempo real, a permitir ao jogador olhar para cima e para baixo e saltar.
  • O Ultima Underworld usa sprites bidimensionais para os personagens, mas também possui objetos 3D, já que a equipe acreditava que estes eram necessários “para ter visuais razoáveis”.
  • Durante a fase de teste alfa do Underworld, parte da equipe de programação trabalhou para criar um modelo de iluminação suave. A tecnologia avançada do jogo fazia com que o engine funcionasse lentamente e seus requisitos ficassem extremamente altos. Doug Church mais tarde minimizou a importância da tecnologia, afirmando que o avanço tecnológico “é um tanto inevitável em nosso campo… [e] infelizmente, como uma indústria, parecemos saber muito menos sobre design do que como continuar a expandir e crescer a capacidade de design”. Em vez disso, afirmou que a conquista mais importante do Ultima Underworld foi a incorporação de elementos de simulação em um RPG.
  • Apesar da tecnologia inovadora desenvolvida o Ultima Underworld, a Origin optou por continuar usando os gráficos 2D tradicionais de cima para baixo para os futuros jogos da linha principal da franquia. Todavia, seu engine foi reutilizado e aprimorado para a sequência de 1993, Ultima Underworld II: Labyrinth of Worlds.
  • A Looking Glass Studios planejou criar um terceiro Ultima Underworld, mas a Origin não animou. Depois que a EA rejeitou a proposta do Arkane Studios para o Ultima Underworld III, o estúdio criou um sucessor espiritual, o Arx Fatalis.

Premiações

  • Novembro de 1992 (edição nº 100) – RPG do ano da revista Computer Gaming World.
  • Abril de 1995 (edição nº 129) – Introduzido no Hall da Fama da Computer Gaming World.
  • Novembro de 1996 (edição do 15º aniversário) – nº 68 na lista dos “150 melhores jogos de todos os tempos” da Computer Gaming World.
  • 2001 – #8 no Top Game de Todos os Tempos da GameSpy.
  • #8 no rank “100 Mais Importantes Jogos de PC dos Anos 90”, na edição 02/1999 da revista GameStar alemã.
  • Em 1992, ganhou o Origin Awards de Melhor Jogo de Ficção ou Fantasia.
  • Melhor RPG em 1992 segundo a edição 01/1993 da revista PC Games alemã.
  • A Power Play, em sua edição 02/1993, classificou o Underworld como o Jogo do Ano de 1992 e o segundo melhor RPG de 1992. Isso não faz muito sentido, mas fui conferir na revista e, pelo o que pude entender de alemão (quase nada), parece que é isso mesmo.
  • Em setembro de 2004, a revista Retro Gamer, em sua edição de número 8, listou o Underworld como o 62 Melhor Jogo de Todos os Tempos, sob votação dos leitores.

Screenshots

Sobre o download

O Ultima Underworld é um jogo normalmente pago que pode ser obtido para PC (Windows e Mac) no GOG, que é a versão que temos para download aqui. Ela usa o DOSBox, não tem DRM (dá pra jogar sem precisar de ficar online e tal) e vem com o Ultima Underworld 2 de lambuja (é um bundle), além de garantia de 30 dias de satisfação ou seu dinheiro de volta, livro de dicas, manuais, mapas, cards de referência, Memoirs of Cabirus, Britannia Guide e avatares.

Idiomas: inglês.

Requerimentos mínimos em sistema

Mais Ultima

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