Cacowards 2025

A celebração do melhor do único jogo possível deste ano. Vale a pena manter esta chama acesa!


Publicado em 15 de dezembro de 2025.

Esta matéria é um resumo da edição de 2025 dos Cacowards, a premiação que pode ser descrita, grosso modo, como o Oscar do Doom, trazendo assim uma porrada de mods e outros trabalhos com qualidade consagrada pela comunidade. Ou seja, muita coisa boa pra divertir a gente de 2026 em diante.

A verdade é que o Doom acaba de completar 32 anos, e, de acordo com a “invocação” do Cacowards 2025, embora o número não marque uma data redonda, o clima deste ano lembra muito o de alguém entrando nos seus “trinta e poucos”: amadurecido, exausto, mas resiliente. A introdução da edição deste ano reconhece abertamente o peso coletivo do período — projetos adiados, frustrações crescentes e até o cansaço que tomou conta das conversas nos fóruns. Ainda assim, a chama criativa não se apagou. Pelo contrário: alguns lançamentos recentes reacenderam o entusiasmo por esse clássico eterno. Foi nesse espírito que o Doomworld publicou, em 10 de dezembro, a 22ª edição anual desta emblemática premiação.

O time de autores dos Cacowards 2025 (que escreveram as paradas e tal) — entre eles TerminusEst13, Scuba Steve (do Action DooM), Cardboard Marty (do The Space Pirate), Kinsie, dew, Not Jabba e vários outros nomes conhecidos — selecionou 12 vencedores principais, 14 vices e 25 menções honrosas, cobrindo desde megawads experimentais até aventuras criativas em Heretic e Hexen. A edição ainda trouxe seções especiais como Grandeur Renewed, Doom MOMA, Past Spotlight e Spaceship of Theseus, além de prêmios para multiplayer, mods de gameplay, trilhas sonoras e destaques técnicos.

Também foram entregues reconhecimentos individuais, incluindo o Creator of the Year, vencido por Bartek Karoliński (Touchdown), e o Espi Award, concedido a Ralph Vickers (Ralphis) e Mike Lightner (Mancubus II). Mesmo em um ano pesado, os Doomers mostraram mais uma vez por que a comunidade continua viva, criativa e emocionalmente conectada ao único jogo possível. Que venham mais anos e mais ideias — porque, como diz a própria abertura do Cacowards, vale a pena manter isso aqui aceso.

Aliás, falei um pouco sobre os Cacowards nas Notícias do Facínora 326 (deixei o vídeo mais ou menos no ponto):

Então, sem mais converseira fiada, vamos às listas com os laureados pelos Cacowards 2025, com links para downloads dos mods e tudo mais. Note que, para alguns mods, fui capaz de criar uma subseção detalhada:

Vencedores

In the Doghouse

In the Doghouse é um megawad para Doom II, compatível com Boom, desenvolvido por Arbys550 (Donovan Myers) ao longo de aproximadamente oito anos com a proposta de partir de forma acessível e gradualmente evoluir para um slaughter intenso e exigente, com clara ênfase em agressividade e ação constante. Cada mapa adota um tema próprio — tanto visual quanto estrutural — alternando entre layouts lineares e não lineares, e são evitadas tendências modernas que o autor considera artificiais, priorizando combates orgânicos, abundância de munição e encontros que incentivam o jogador a avançar, e não apenas sobreviver.

No Cacowards 2025, In the Doghouse foi considerado uma “jornada do azarão”, combinando humor, escala crescente e uma identidade surpreendentemente coesa apesar de sua longa gestação. O texto destaca a escalada progressiva de escopo — de ambientes relativamente contidos a mapas gigantescos e saturados de inimigos — culminando em momentos de puro espetáculo, como grandes hubs, paisagens monumentais e batalhas que remetem ao auge do slaughter clássico. Um diferencial marcante é o uso recorrente de referências à banda Genesis, tanto na trilha sonora como em secrets, incluindo um nível supersecreto de natureza quase de adventure, no qual armas funcionam como chaves e a exploração assume papel central. O resultado é um megawad que recompensa a persistência do jogador com variedade, personalidade e uma clara sensação de evolução autoral.

Vídeo

Below The Gaudy Goblin

Below The Gaudy Goblin é um mapa standalone para Hedon lançado em novembro de 2024 por Doomax, e amplamente reconhecido como o primeiro PWAD criado por fãs para o jogo. Situado cronologicamente entre MAP07 – Parapet e MAP08 – Pale Wind, durante o intervalo em que Zan percorre a estrada gelada em Crystal Heart, o mapa funciona como uma história paralela que se encaixa de forma orgânica no universo oficial. O WAD introduz ajustes pontuais de jogabilidade — como a realocação da arma Hellclaw para o slot principal — e apresenta uma quantidade significativa de texturas e sprites personalizados.

Segundo a premiação, este mod se destaca por capturar tudo o que torna Hedon especial: um mundo vivido, personagens carismáticos e exploração meticulosa, equilibrada por combates viscerais e encontros mais táticos. A jornada leva Zan, a Bonebreaker, da atmosfera acolhedora de uma taverna de estrada a minas profundas, paisagens gélidas envoltas em névoa e até cenários infernais inesperadamente vibrantes, compondo uma experiência rica em contrastes e descobertas. Há no mapa múltiplos tons, situações moralmente ambíguas e atenção obsessiva aos detalhes, transmitindo sensação de que o mundo existe independentemente do jogador — mas que suas ações ainda importam. Ainda de acordo com Not Jabba (que escreveu o texto dos Cacowards), trata-se de uma expansão não oficial de nível profissional, com destaque na ambientação e surpresa constante.

Vídeo

Blues Brothers 2025

Blues Brothers 2025 é um megawad de 23 mapas com especificações MBF21 desenvolvido por General Roasterock e Ravendesk lançado em outubro de 2024. Continuação de Blues Brothers 2023, o projeto elimina completamente armas hitscan, transformando o combate em um inferno de projéteis, com plasma e foguetes disponíveis desde o início. Tanto o jogador quanto os inimigos funcionam como “canhões de vidro”, tornando cada confronto rápido, caótico e de alto risco.

Apesar da apresentação inicial mais leve e estilizada — com estética neo-noir e ideias quase lúdicas — o megawad evolui rapidamente para algo mais coeso e opressivo. A partir dos mapas iniciais, o conjunto assume uma identidade techno-brutalista, combinando ação intensa, exploração e uma atmosfera carregada de tensão e sugestões narrativas. Testado principalmente em dsda-doom e Woof!, Blues Brothers 2025 se destaca pelo uso criativo do MBF21 e pela forma como subverte expectativas, entregando camadas cada vez mais sombrias à medida que avança.

Vídeo

Ledge Maze

Ledge Maze é um mapa para Doom II (GZDoom, mas deve rodar no UZDoom também) desenvolvido por Jon Landis. Lançado em 2025, marcando o retorno do autor após décadas sem novos lançamentos, o projeto aposta fortemente em verticalidade extrema, geometria dinâmica e navegação confusa como eixo central da experiência, explorando recursos modernos como 3D floors, scripting, gatilhos por setores e portas não convencionais, sem recorrer a mouselook.

Mais do que uma simples techbase, a fase funciona como um labirinto tridimensional onde subir, cair, recuar e observar o espaço ao redor é parte essencial da sobrevivência. A escassez inicial de recursos, a perseguição constante de inimigos — inclusive voadores — e a arquitetura mutável transformam o avanço em um quebra-cabeça tenso e opressivo. A trilha original Tin Abyss, composta pelo próprio Landis, reforça a sensação de estar preso em um lugar que parece seguir regras próprias.

Vídeo

Dead Sea Scrolls

Dead Sea Scrolls é um episódio completo para The Ultimate Doom compatível com vanilla (comp -3) que foi desenvolvido por BEG, com músicas originais de Shapeless Cube e colaboração de MeatBallDemon. Inspirado de forma livre no mistério real dos Manuscritos do Mar Morto (só gnose) e em elementos de uma tal mitologia abraâmica, o mod constrói uma aventura deliberadamente “pulp”, onde atmosfera e variedade são mais importantes que uma narrativa literal.

Ao longo de nove mapas single-player, o episódio alterna entre exploração surreal sem combate, quebra-cabeças, stealth, terror e momentos pontuais de slaughter, sempre com progressão gradual de dificuldade. Segundo a premiação, cada fase do mapset possui identidade própria, mas todas compartilham um forte senso de mistério, reforçado pela trilha sonora sob medida e por uma ambientação que constantemente sugere forças cósmicas além da compreensão do jogador.

Ainda de acordo com o texto dos Cacowards 2025, mesmo operando dentro das limitações do Doom clássico, Dead Sea Scrolls se reinventa várias vezes ao longo de sua curta duração, empurrando o motor original até seus limites sem perder coesão, que resulta numa jornada compacta, imprevisível e surpreendentemente moderna, que traz tanto a experimentação dos anos 90 como aspectos contemporâneos da cena.

Trailer

Gossip

Gossip é um megawad para Doom II desenvolvido inteiramente por Touchdown compatível com Boom (complevel 9) construído apenas com recursos stock. O projeto conta com nove mapas de escala colossal e se destaca pela ambição extrema: cada nível funciona como um ambiente totalmente realizado, combinando exploração, combate e narrativa ambiental em cenários urbanos devastados, florestas hostis e instalações secretas da UAC. Não é um mod apressado — alguns mapas podem levar horas para serem concluídos, especialmente na primeira run.

Além do seu tamanho, Gossip impressiona pelo controle de ritmo e atmosfera, com seus mapas variando entre estruturas lineares e espaços amplamente não lineares, com objetivos distribuídos, hubs funcionais e progressão cuidadosamente planejada. Ao longo da campanha, o mapset ganha contornos de terror psicológico e surreal, com distorções sutis da realidade e eventos inquietantes que se intensificam conforme a narrativa avança. O resultado é uma obra exigente, imersiva e memorável, que demonstra até onde o Doom clássico pode ir quando explorado com visão e rigor quase obsessivo.

Trailer

Lonesome Road

Criado por Thomas Seifert (tourniquet), Lonesome Road é uma jornada surreal e misteriosa, desde a primeira cena na praia à noite, passando por paisagens urbanas abstratas e até um inesperado passeio espacial. Segundo o texto do Cacoward, Tourniquet explora um escopo mais intimista do que em seus mega-mapas, dando a cada fase uma atmosfera própria, que leva do grunge e surreal ao etéreo, sendo repleta de segredos, quebra-cabeças e mecânicas incomuns que desafiam o convencional em Doom.

O mapa de destaque, Hand Covers Bruise, exemplifica a criatividade do set, transformando a saúde em um recurso a ser gasto em uma loja assombrosamente vazia, enquanto combates e moedas espalhadas criam um labirinto tenso e cheio de desafios. Fases como Greyhounds of the Future levam a imaginação ainda mais longe, entregando alguns dos ambientes exoplanetários mais perturbadores já feitos em Doom. Lonesome Road combina arte coesa com abstração experimental, sustentado por uma trilha sonora variada, uma experiência individual sinuosa, vertiginosa e inesquecível.

Vídeos

Vice-campeões

Earthless

Earthless é um megawad de 32 mapas para Doom II, lançado em 29 de junho de 2025, desenvolvido por James “Jimmy” Paddock como o sucessor espiritual de Deathless (2018), mas distanciando-se do speedmapping adotado em seu predecessor. O trabalho surgiu pela primeira vez como o já excelente Earthless: Prelude (2021) e teve um ciclo de desenvolvimento significativamente mais longo — cerca de cinco anos — e marca o primeiro megawad completo para Doom II do autor desde o também muito bom Jenesis. Apesar do enredo assumir um tom abertamente bem-humorado (“os demônios roubaram a Terra, deixando a humanidade… sem Terra” ou “deathless”), o foco principal está na construção de mapas coesos, variados e tecnicamente refinados.

Inspirado pelo modelo episódico de Scythe 2, Earthless divide sua campanha em seis episódios, cada um com ambientação e identidade visual próprias. Ao término de cada episódio, o jogador é forçado a reiniciar com apenas a pistola por meio de um death exit, reforçando a sensação de progressão segmentada e reequilíbrio constante do desafio. O megawad introduz também gráficos adicionais de Fuzzball, um mapa de Jark, pequenos ajustes de jogabilidade via DeHackEd, incluindo novos objetos funcionais e a redução da vida dos lost souls, tornando-os menos punitivos. Parte significativa do desenvolvimento foi transmitida ao vivo no canal de Jimmy na Twitch, e o lançamento final ocorreu simultaneamente no idgames archive e no navegador de mods do Doom + Doom II, acompanhado por WADs opcionais de playlists musicais que permitem personalizar a trilha sonora ao longo da campanha.

Playthrough

Menções honrosas

Categorias especiais

Grandeur Renewed

Doom MOMA

Past Spotlight

Spaceship of Theseus

  • Mohrta – scumhead e Osiol – (GOG) (Steam)

Odyssey of Noises (trilhas sonoras)

Multiplayer

Gameplay

Mordeth award

Codeaward

Adrian’s Pen

Machaward

Novatos mais promissores

  • Most Promising Newcomers
  • HiMyNameIsChair
  • stochastic
  • FlyingGoner
  • fai1025
  • Journalist_Kuro
  • BlurryBoy
  • Doomcat
  • Shadow Sparkle
  • Unicorn Skull

Criador do ano

  • Bartek Karoliński (Touchdown)

Espi award

  • Ralph Vickers (Ralphis) and Mike Lightner (Mancubus II)

Cobertura dos Cacowards 2025


Ufa.

Acabou que valeu a pena fazer o registro dos Cacowards deste ano. Na pior das hipóteses, você tem, no mínimo, uma baralhada de trabalhos para conferir. Não é possível que não haja nada que te agrade no meio disto tudo.

Mas quero saber o que você achou desta premiação, qual mod te chamou mais a atenção, qual já tinha fragado e tal. Considere também tirar o escorpião do bolso e tornar-se nosso apoiador para financiar nossa campanha de dominação mundial! Sério. A grana é importante, na moral mesmo.

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2 comentários para “Cacowards 2025”

  1. Helinux disse:

    Muito bom, valeu!!!!

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