Ports inferiores de beat ’em ups clássicos que ainda assim são divertidos

Este artigo lista alguns ports de beat 'em ups clássicos de fliperama que, mesmo sendo inferiores, ainda assim são divertidos. Ou seja, aqueles que antigamente, na falta dos originais, quebravam bem o galho em casa.

9 de janeiro de 2022

Quem é mais das antigas, provavelmente se lembra da sensação de ficar com vontade de ir nos fliperamas, mas não ter como ir, e daí ter que se virar com as versões dos jogos desejados para o que a gente tinha em casa, seja PC, Master System, Mega Drive, NES etc.

Não tinha jeito. No final da década de 80/início dos anos 90, os ports de arcade eram invariavelmente inferiores. Faltavam elementos – como fases, cenários, personagens e até golpes – e os gráficos, efeitos sonoros e os controles também eram pé de chinelo perto dos originais.

Só que tem uma coisa: seja por falta de grana ou algum motivo mais prosaico como ter sido jurado de morte no fliperama local, mesmo essas jogatinas em casa eram divertidas. Pensando nisso, resolvi fazer essa matéria listando alguns ports do gênero beat ’em up, visto que eram bem comuns nesta época e quebraram muito o galho aqui em casa. E sim, inclui os hack ‘n slash nesta lista, embora eu não goste muito deste nome pra este gênero.

Como hoje em dia é infinitamente mais fácil ter acesso aos clássicos de fliperama, o que faz estas versões perderem muito de sua utilidade, este artigo fica sendo mais pela nostalgia e curiosidade mesmo, mas quem sabe não tem uma versão dessas aí que você não quer revisitar ou conhecer mesmo assim?

Outra coisa que vale notar é que esta lista é bastante pessoal. Ou seja, não cita os melhores ports de todos os tempos, mas sim os que eu, meus irmãos e outros membros da Gaming Room mais jogamos e guardamos boas memórias.

Mas vamos começar isso logo.

Golden Axe [MS-DOS]

Lançado em 1990, o port do Golden Axe pra DOS é talvez um dos melhores desta lista, mesmo que sem a capacidade de cravar com a espada (correr, saltar, apertar pra baixo e atacar) e apresentando animações não eram fluidas como em outras versões. Uma coisa interessante que ele faz é não inverter a direção do personagem ao atacar montado naquele bicho esquisito com bico de galinha que tem no Altered Beast também.

Ele podia ser jogado por mais de uma pessoa no mesmo teclado e contava com vários modos de jogos e níveis de dificuldades. Jogamos bastante aqui em casa o modo arcade e zeramos algumas vezes, o que sem créditos infinitos não era tão fácil. Trazia bons controles e um modo The Duel que muita gente achava interessante.

Abaixo, tem uma partida rápida jogada neste port:

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Double Dragon II: The Revenge [MS-DOS]

Lançado em 1989, este é um port bem ruinzinho do Double Dragon II: The Revenge. Seu controles são ruins e parece que o jogo é meio lento no geral, mas guardo muitas boas recordações dele. Acho que este nunca zeramos.

Eventualmente, a DotEmu relançou o jogo no Double Dragon Trilogy, uma compilação que tem também o primeiro Double Dragon e o Double Dragon 3: The Rosetta Stone para Windows, mas não parece que é esta versão.

Abaixo, tem uma jogadinha rápida que fiz neste port de MS-DOS do Double Dragon II: The Revenge:

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Double Dragon [Master System]

Ao contrário da versão de DOS do Double Dragon 2, o port de Master do primeiro Double Dragon é tido como um trabalho muito bom e querido até hoje. Talvez a principal razão disto seja o fato de duas pessoas poderem jogar partidas cooperativas simultaneamente, algo não visto no port do jogo do Nintendinho. Outros fatores talvez sejam a trilha sonora, trazida com muita qualidade mesmo sem o FM Sound Unit, e os gráficos que, embora similares aos da versão do console rival, eram mais coloridos.

Jogamos muito o Double Dragon de Master System aqui em casa. É um Hall of Famer da Gaming Room e quebrava o galho sempre que queríamos jogar um beat ’em up cooperativo mas não dava pra ir no fliperama.

Quem portou o clássico para o console da Sega foi a Arc System Works, e seu lançamento se deu em 1988. Abaixo, segue o seu playthrough no 7º episódio da Velharia, nossa série a respeito de jogos antigos:

Links

Simpsons [MS-DOS]

Não sei se a versão de DOS do The Simpsons (ou The Simpsons Arcade Game), é considerada boa, ruim ou divide opiniões. Só sei que a joguei bastante, sozinho e com meus irmãos (inclusive zeramos várias vezes). Ou seja, pra nós, era boa o suficiente. Lançada em 1991, este port tem opção para jogar no mesmo teclado e funciona tranquilo no DOSBox.

No vídeo abaixo, dou uma jogada de leve no The Simpsons de MS-DOS depois de vários anos sem mexer nele. Foi gravado originalmente para o Notícias do Facínora #158, mas resolvi reciclar o gameplay completo e sem falação no Velharia #38. Outra coisa que vale dizer sobre essa jogatina, é que, apesar deste port ser inferior ao The Simpsons original, com animações menos fluidas e outros aspectos deficientes, percebi que ele é ainda bastante divertido:

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Moonwalker [Master System]

O Michael Jackson’s Moonwalker é um caso a parte nessa lista. pois, embora também seja um beat ’em up e ainda apresente o Rei do Pop como protagonista, é bem diferente ao imponente à máquina da Sega de fliperama. A versão para consoles caseiros de Mega e Master lembra bastante Shinobi, só que com tema do filme Moonwalker (1988), sendo que mais joguei foi o port 8-bit mesmo.

Lembro muito do Moonwalker como um dos jogos que fez mais sucesso nas revistas especializadas quando foi lançado aqui no Brasil, o que se deu em 1991, um ano depois do resto do mundo. O frenesi no Master era comparado apenas ao Castle of Illusion, outro excelente título deste console que saiu por aqui mais ou menos na mesma época. Quando ganhamos o cartucho, fiquei muito feliz. E logo eu já tinha decorado o layout das fases e tava zerando com um pé nas costas.

Outra lembrança por ser um dos jogos que levamos pra praia, quando passamos uma semana em Guarapari (ES). Levamos o Master System para o hotel (Quatro Estações) e meu pai ligou na televisão do quarto pra gente jogar. Aí jogamos o Moonwalker, dentre outros jogos. Vida de viciado.

O port de Master é bem parecido com o de Mega, uma versão para um console inferior que trouxe de forma bem decente os elementos indispensáveis que tornaram o Moonwalker um bom jogo. Também escolhi este port pelos motivos nostálgicos descritos acima.

Abaixo, segue o trailer oficial do Moonwalker:

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Teenage Mutant Ninja Turtles II: The Arcade Game [NES]

De todos os jogos em destaque nesse artigo (descontando as menções honrosas), o Teenage Mutant Ninja Turtles de Nintendinho foi a que menos joguei (nunca tive um NES). Ele saiu nesta plataforma como Teenage Mutant Ninja Turtles II: The Arcade Game para diferenciar do Teenage Mutant Ninja Turtles de NES, que era de plataforma com rolagem lateral.

Enfim, esse é um daqueles também que ocupavam as páginas de várias revistas especializadas da época (lembro bastante dele na saudosa Videogame), e ficava imaginando como seria jogar este port, mesmo já conhecendo a de fliperama.

Esta versão inclui dois novos níveis (a primeira parte da Scene 3 e toda a Scene 6), que apresentam novos personagens inimigos, incluindo dois chefes criados especificamente para o NES: Tora (um monstro parecido com um urso polar) e Shogun (um samurai robótico). A maioria dos estágios originais da versão de arcade foram estendidos também e a segunda metade da Scene 3, a garagem, substitui a batalha final: em vez de lutar contra Bebop e Rocksteady, deve-se derrotar o Baxter Stockman, aquela mosca gigante voadora.

Assista um longplay do Teenage Mutant Ninja Turtles II: The Arcade Game pra você ver ele sendo totalmente zerado, do início ao fim.

Links

  • Manual @ Archive – Scan do manual do game Teenage Mutant Ninja Turtles II – The Arcade Game [NES-2N-USA] (NES) – Manual Scans (600DPI).

Altered Beast [Master System]

A versão de Altered Beast de Master System é uma que, por incrível que pareça, divide opiniões. Tudo bem que falta uma fase e uma transformação, mas, mesmo assim, fizeram um belo trabalho trazendo esse jogo para um cartucho de 2 megabit.

Tem duas coisas que me vêm à cabeça quando lembro deste port. Primeiro, foi o primeiro game que zerei na vida (aliás, devo ter sido o primeiro da minha família inteira a zerar um jogo). Segundo, o desafio geralmente consistia em não errar nada até pegar a primeira bolinha de transformação, visto que o bombadão matava os inimigos com apenas um golpe e, sem isso, é o maior perrengue. Tipo, nas versões de arcade e de Mega, se tem uma transformação intermediária entre o centurião inicial e o bombado, e a impressão que tenho é que jogam a segunda bolinha no Master onde seria a terceira. Ou seja, você vai mais fraco onde já deveria estar um pouco mais forte. Mas isso pode ser apenas impressão minha mesmo.

De qualquer maneira, joguei muito esse Altered Beast, me diverti bastante e arrisco umas partidas até os dias de hoje, embora eu não consiga passar nem da primeira fase de primeira mais, pois sempre perco uma transformação e acaba complicando o meu meio de campo (algo que não acontece comigo no Mega e no jogo de fliperama, diga-se de passagem).

Tem um longplay do Altered Beast do Master a seguir. É do World of Longplays, mas um dia vou tentar fazer o nosso:

Links

Vigilante [Master System]

O Vigilante foi recomendado pra mim como um jogo tipo Double Dragon e, de fato, parece. O problema é que eu estava esperando um beat ’em up onde se pode movimentar nas 8 direções com muito dinamismo nas armas…

Quando meu pai me deu essa fita, não encontrei isso, mas, em vez de ficar frustrado e fazer desfeita, acabei insistindo e descobrindo que esse jogo tem luz própria. De fato, mesmo com continues infinitos por padrão, é um desafio zerar Vigilante de Master, que é cheio de peculiaridades e macetes.

Fiz um detonado do Vigilante de Master System que serve para apresentar o game e ensinar como zerá-lo:

Menções honrosas

A lista abaixo são de ports muito bons, mas não joguei tanto à época ou apenas acabei conhecendo mais tarde:

É isso aí. Se lembrar de mais algum port desses que me marcou, atualizo este post aqui.

Valew!

Mais beat ’em up

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